Tanz mit uns - top
 
*
 
   
 
Untitled Document
 
 
 
D. V. Tanz mit uns - Conteúdo
Matérias
 
Portal25.com - Notícias
20/12/2009 - Comentário
Não frustrem os foliões!
A carnavalização da cultura popular, mesmo com seus problemas de metamorfose das tradições, ainda é combustível para evitar a morte de antigos hábitos e costumes.
Arte: Portal25.com

Por Denis Gerson Simões

Quem vê estes meus apontamentos e me conhece pessoalmente vai achar que esta é uma gozação. Explico: sempre defendi o cuidado com as tradições e a necessidade de conduzir com cautela os processo de ressignificação do cotidiano cultural, em especial os ícones que dão face à identidades sociais e étnicas. O motivo parece simples: evitar que se deturpe a imagem do antigo frente os modismos da contemporaneidade. Mas, observando por anos essa questão, vem o questionamento: o que garante a sobrevivência dessas tradições?

Querendo ou não, a sociedade mundial vive num constante processo de mudanças, que não necessariamente se constituem em melhorias em todos os setores. Os anseios das pessoas vão cambiando de acordo com os contextos e se apresentam aos olhos populares novas tendências. A idéia de "moda de trocas necessárias" tornou-se vigente e "atualizar" virou a palavra chave pra se estar conectado ao que está de mais novo e vigente. Em outras palavras, as pessoas estão motivadas a realizarem suas festividades e manifestar sua cultura popular através destas percepções de seu cotidiano; querem usar da lógica que está atuante para interpretar o passado. Fazem um anacronismo sem perceberem, mas bem intencionadas. É através dessa reconstrução do folguedo, muitas vezes não consciente, que as antigas tradições conseguem sobreviver, mesmo que não mais tenham ares de tradicional.

E esse movimento deve ser combatido? Há algum tempo eu diria que sim, mas chego à conclusão que hoje este é um processo necessário. Explico: frente ao modismo e às mudanças constantes de impulso popular, aliadas ainda à lógica de auto-sustentabilidade da cultura, não é cabível desestimular a sociedade a realizar seus impulsos populares só porquê eles se descaracterizaram. Combater a carnavalização da cultura, como chamei o processo de metamorfose midiatizada das festividades não-religiosas, pode ser um trabalho que pode gerar, ao final, efeitos colaterais mais negativos do que positivos. Daí que trouxe a expressão: Não frustrem os foliões. Não desmotivem quem está trabalhando!

Mas o que fazer frente a esta questão? Se homologa e apóia essa carnavalização? Na realidade o que vem à minha mente neste caso é a palavra respeito. Sim, ter respeito ao que o povo constrói ou assume como seu. Não se trata aqui de uma apologia a adotar visões carnavalizadas, mas sim considerar com legitimidade quem o faz de forma espontânea, com uma motivação de base cultural. Muitas vezes o imaginário popular constrói elementos sobre as tradições tão legítimos quanto a própria tradição. Negar isso é se desconectar do cotidiano e racionalizar os impulsos humanos.

Todavia, isso não significa a passividade ao ver o folclore e cultura popular histórica se deteriorarem. Pelo contrário. Podemos fazer aqui o uso da velha frase “faça do limão uma limonada”. Ao invés de combater, com intenção de extinguir e confrontar, assumamos a idéia de educar. Se somando a esses movimentos populares, engajando-se em fortificá-los e subsidiá-los de informações pertinentes, que é possível dar novo rumo a essa carnavalização das identidades festivas sociais. A educação é o modo como fazer a comunidade crescer. Se constroem aprendizados com aspectos colaborativos, fortificando engajamentos, apoiando as motivações pessoais e coletivas, sem esquecer que é viável apontar alternativas sadias aos clichês que se apresentam. É necessária a consciência que na maior parte dos casos a deturpação de identidades do passado é fruto da falta de conhecimento das pessoas do presente.

Assim, me parece interessante reforçar a frase, mas completando-a: não frustrem os foliões, mas sim impulsionem-nos a também considerarem outras alternativas. Bons exemplos dessa realidade estão à mostra e precisam tanto ser considerados, quanto apoiados. Mesmo comercial e turística, a Oktoberfest de Blumenau vem mostrando, nas últimas edições, que é possível dialogar de forma civilizada com a comunidade, quando aos poucos vem realizando, com informes educativos e opções inteligentes, uma motivação ao freqüentador repensar o evento e sua identidade, mesmo em meio a tantos clichês. Também ações de cunho regionalista no Rio Grande do Sul vem colocando em dúvidas velhos dogmas criados por desconhecimento dos tradicionalistas e passam a rediscutir o sentido do simbolismo do gaúcho, desta vez com mais responsabilidade e de forma palatável à população. A carnavalização pode ser pensada e repensada até mesmo no carnaval, mas creio ser importante não preferir à morte da motivação à uma originalidade. Não esqueçamos que não se pode querer fazer do popular um erudito.

Mande sua Opinião!

Texto: Denis Gerson Simões


 
 
 
 
 
     
 
 
 
Portal25.com
 
 
PORTAL25.COM
APOIO
 
 
 
[Capa] [Comercial] [Contatos] [Tanz mit uns]
Este site é melhor visualisado em 800 x 600 pixel.
Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.