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ANELISE ZANONI
Ao desembarcar no Vale do Sinos, em 25 de julho de 1824, 39 imigrantes
alemães que haviam deixado a Europa se instalaram no Estado em
busca de uma vida próspera. Cento e oitenta anos depois, o território
gaúcho reproduz na arquitetura, na gastronomia e nas paisagens
a imagem da herança deixada pelos germânicos que inseriram
a cultura e os costumes ao sul do país.
Às margens dos rios ou no alto dos vales, construções
em estilo enxaimel, restaurantes de culinária típica, parques,
praças e festas traduzem esse legado.
Aproveitando as comemorações do aniversário da chegada
dos alemães ao Estado, o Caderno Viagem apresenta dicas de turismo
nos principais municípios colonizados pelos germânicos.
Para quem quer aliar história com gastronomia e compras, a opção
é o Vale do Sinos. Belezas naturais e pequenas comunidades rurais
são encontradas no Vale do Taquari. No municípios do Vale
do Caí, além das paisagens, as festas anuais encantam os
turistas. Confira ao lado algumas alternativas para quem deseja conhecer
um pouco mais da cultura e dos costumes trazidos da Alemanha.
São Lourenço do Sul
A origem do município remonta ao final do século 18, quando
a Coroa Portuguesa distribuiu sesmarias aos luso-açorianos que
lutaram contra os espanhóis. Mas sua localização
estratégica serviu de caminho para os alemães que chegaram
ao Estado por meio da Barra de Rio Grande, afirma o professor de história
da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Martin Norberto Dreher.
A Lagoa dos Patos, cartão-postal do município, permitiu
o escoamento dos produtos coloniais feitos pelos imigrantes. Hoje, um
passeio de barco pela Costa Doce permite visualizar uma paisagem de contrastes
entre as areias brancas e finas, a água e as árvores centenárias.
Outra atração é a Fazenda do Sobrado, propriedade
de estilo colonial português onde se desenvolveu um o povoado e
recebeu visitas de Giuseppe Garibaldi, durante a Revolução
Farroupilha.
Informações: Casa do Turista, telefone (53) 251-5979 ou
no site www.saolourencodosul.com.br
Taquara
A herança deixada pelas famílias de alemães que
começaram a se instalar no município em 1846 pode ser vista
na arquitetura dos prédios e no interior de Taquara. Em um passeio
pela região visite o Palácio Municipal Coronel Diniz Martins
Rangel, com estilo neoclássico, e os templos católico e
evangélico. No interior, é possível conhecer construções
no estilo enxaimel, muitas habitadas por descendentes dos primeiros imigrantes.
Além dos contrastes históricos, visitar Taquara também
pode ser uma possibilidade para fazer trilhas ecológicas. A 47
quilômetros do centro a opção é a Cachoeira
do Chuvisqueiro.
Informações: www.taquara.com.br
São Sebastião do Caí
Rico em paisagens naturais, o município encanta com seus morros,
cachoeiras, estradas vicinais e trilhas. No centro, as marcas da colonização
portuguesa e germânica - as primeiras levas chegaram em 1848 - estão
vivas na arquitetura. Visite a sede da prefeitura, o antigo presídio,
as mansões onde hoje residem a viúva Alzira Oderich e a
família Cristiano Oderich, a Praça Cônego Edwino Puhl,
os antiquários e o Parque Centenário. A cada dois anos o
município oferece dois grandes eventos: a Festa da Bergamota e
o Rodeio Crioulo.
Informações: www.sscai.famurs.com.br
São Leopoldo
No Vale do Sinos é o berço da imigração alemã
no Estado. Foi em 18 de julho de 1824 que oito famílias desembarcaram
em Porto Alegre. Seduzidos por uma vida de prosperidade, os 39 imigrantes
foram instalados, em 25 de julho daquele ano, na Feitoria Linha Cânhamo
(atual São Leopoldo).
No Museu Casa do Imigrante, uma construção portuguesa com
arquitetura alemã revela um acervo de móveis, utensílios
e roupas utilizados pelos primeiros imigrantes. Na parte externa da casa,
há uma moenda e o Museu da Saudade, que reúne lápides
de antigos moradores, enterrados no Cemitério da Feitoria. A casa
está aberta de terça a domingo, das 14h às 17h30min.Visitas
devem ser agendadas pelo telefone (51) 592-4557.
Conheça também o Museu Histórico Visconde de São
Leopoldo, dono de um acervo de mil peças relacionadas à
colonização e o Museu do Trem, com locomotivas antigas e
equipamentos ferroviários.
Informações: www.saoleopoldo.rs.gov.br
Montenegro
Às margens do Rio Caí, o Cais do Porto é o cartão-postal
de Montenegro. Ali, onde começou a construção da
história da cidade, é possível fazer uma caminhada
pela orla e visitar a antiga Usina Maurício Cardoso, construída
no início da década de 30 e reformada. Para quem gosta de
contato com a natureza, na região central estão parques,
praças e o Morro São João. A poucos quilômetros
do município é possível encontrar duas belas cascatas:
a Vitória e a do Maratá.
Informações: www.montenegrors.com.br
Estrela
O município preparou um programa especial para quem quer conhecer
as principais heranças deixadas pelos alemães. Participando
do roteiro turístico Delícias Coloniais é possível
entrar em contato com a cultura e os costumes do município. O passeio
começa com uma visita às lojas de pedras preciosas. Em seguida,
os turistas são levados ao Alambique Berwanger, onde são
apresentados os processos de produção da aguardente, e ao
Pesqueiro Carpas & Cia. No fim, ainda há parada em uma casa
de chocolates e uma loja de artesanato.
Informações: no Centro de Cultura e Turismo, telefone (51)
3712-1223
Lajeado
A 117 quilômetros de Porto Alegre, Lajeado é considerada
a capital do Vale do Taquari devido à infra-estrutura e ao potencial
industrial e turístico. O município, conhecido mundialmente
nas décadas de 70 e 80 por suas pedras preciosas, oferece atrativos
como a Casa de Cultura e o Museu Histórico Bruno Born. Há
também passeios pela ciclovia e pelo Belvedere do Rio Taquari.
Não deixe de passar no Parque Histórico. O Deutscher Kolonie
Park retrata uma autêntica aldeia-museu, com escola, salão
de baile, ferraria, moinho, igreja e prédios que faziam parte de
uma colônia do tempo dos pioneiros.
Informações: www.lajeado.com.br
Santa Cruz do Sul
Desde 1849, quando os primeiros colonizadores alemães pisaram
no solo da atual Santa Cruz do Sul, o município guarda um legado
da história e da cultura européias. Pelas ruas, parques
e restaurantes, a herança permanece viva. Para conhecer um pouco
das origens do município, visite o Santuário de Schoenstatt
- uma cópia fiel do templo fundado na Alemanha em 1914 - e o Monumento
ao Imigrante Alemão. Também reserve tempo para uma caminhada
no Parque da Gruta, a dois quilômetros do Centro. O local oferece
churrasqueiras, banheiros, playground, restaurante, lancheria e pedalinhos.
Considerado um dos principais núcleos da colonização,
o município é sede da maior Oktoberfest do Estado.
Se sobrar tempo, aproveite para conhecer a vizinha Sinimbu. Também
colonizado pelos alemães, a localidade oferece o Museu Colonial
Germânico e algumas hospedarias rústicas, como a Pousada
Engellmann.
Teutônia
Ocupada por indígenas da tribo guaianazes, Teutônia ganhou
ares de colônia em 1858, mas só após oito anos os
primeiros colonos de São Leopoldo, de Santa Catarina, da Alemanha
e da localidade argentina de São Carlos se estabeleceram na região.
Os laços da cultura alemã construíram um município,
pertencente a Estrela até 1981, rico em história, belezas
e costumes. Entre os cenários está a Rota Germânica,
um roteiro que integra pontos turísticos, gastronomia e turismo
rural. Nos passeios destacam-se o Centro Administrativo, construído
em formato de cruz, em estilo enxaimel, o Museu Henrique Uebel, que abriga
peças antigas usadas pelos imigrantes, o Relógio das Flores,
o Poço dos Milagres e o sapato de pau gigante, símbolo de
Teutônia. Também não deixe de conhecer a Lagoa Harmonia,
com suas águas tranqüilas e trilhas ecológicas.
Informações: www.teutonia.com.br
Nova Petrópolis
A cem quilômetros da Capital, Nova Petrópolis recebeu um
grande número de famílias alemãs a partir de 1858.
Os imigrantes, procedentes de Hunsrück, Pomerânia, Prússia
e Saxônia foram os primeiros a se estabelecer na região,
seguidos por italianos, irlandeses, russos e poloneses.
Com o turismo fundamentado em tradições culturais mantidas
por grupos folclóricos, Nova Petrópolis oferece, no Parque
Aldeia do Imigrante, um monumento da cultura alemã. Com mais de
10 hectares de área verde, o local tem lojas de artesanato, malhas
e pratos típicos. No seu interior, é possível fazer
uma viagem pelo tempo na Aldeia Histórica Alemã, onde nove
construções em estilo enxaimel reproduzem as comunidades
dos anos 1875 a 1910. No Centro, visite a Praça da República,
rodeada por canteiros floridos e um Labirinto Verde. Informações:
www.novapetropolis.com.br
Bom Princípio
No município ocupado por colonos dos vales da Renânia e
Lorena, na fronteira entre Alemanha e França, o turista pode visitar
a Igreja Nossa Senhora da Purificação e o Parque Municipal,
adornado por um morango gigante, símbolo da cidade. O parque oferece
canchas esportivas, ginásio, área de lazer com churrasqueira
e CTG. Conheça também a estrada Hel Weis, um caminho construído
em meio às rochas. A cada dois anos o atrativo é a Festa
do Moranguinho, previsto para setembro do próximo ano.
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